As Cartas que escrevi
Sinceramente, eu não saberia contá-las. Seriam, provavelmente, mais numerosas do que os dias que já vivi. Cartas que escrevi principalmente para mim, das quais tantas e tantas se perderam assim como o que continham perdeu-se. E não perde-se sempre? Talvez exista um dia de acerto de contas, onde voltamos lá na primeira infância e começamos a fazer contas à vida, aos débitos e créditos acumulados enquanto a única preocupação era como recolher as sementes que tivessem o cheiro pior. Não sei como se fazem os cálculos dos saldos, nem o que abona ou acresce ainda mais débitos. Não estarão já liquidados? Não interessa. Não sei se um dia vamos sequer saber, mas... que diferença faz? É o mesmo quando acreditamos em alguma coisa... se pensarmos bem, a única diferença entre o que se realiza (quando é verdade) e o que cai por terra (quando era uma mentira) é a consequência. Um mero detalhe, uma coisa pequena, que determina todo o resto do caminho, mas só e apenas isso. Ainda vai existir um caminho...